Hayek e as duas formas de Racionalismo (8): a linguagem antropomórfica do Racionalismo construtivista e a revolta contra razão.
Afirmações no sentido de que a sociedade “age, “recompensa”, “é responsavel por algo”, “é justa” ou que a “economia” é responsável por “distribuir recurso”” são para Hayek um sintoma de “antropomorfismo”. Ele distingue a atitude primitiva de personificar entidades atribuindo-as uma mente e capacidade de agir (antropomorfismo ou animismo); da ligeiramente mais sofisticada atitude de descrever a ordem e funcionamento da sociedade como resultado do projeto de um agente distinto, o que seria melhor descrito como intencionalismo, artificialismo ou construtivismo (expressão que se repete no decorrer de Direito, Legislação e Liberdade).
A superestima nos poderes da razão leva ao paradoxo construtivista de se querer por em prática projetos sociais deliberados sem que seja possível conhecer todos os fatos particulares que tornariam este projeto possível. O resultado é que um projeto dessa natureza descamba necessariamente para o autoritarismo da tomada de decisões não em virtude da razão, mas sim em virtude de preferências ideológicas particulares. É por este motivo que o liberalismo prega a restrição do controle deliberado da ordem da sociedade como um todo apenas ao enforcement de regras gerais necessárias à formação de uma ordem espontânea, mas cujo resultado não podemos prever. Para evitar confusões conceituais, Hayek esclarece alguns termos que serão utilizados no decorrer da obra. “Ordem”, por exemplo, é utilizada em um sentido neutro, abrangendo tanto ordens espontâneas quanto aquelas resultantes de projeto, que serão denominadas de “organizações” ou “arranjos”.
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